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JESUS DOS 13 AOS 30 ANOS Aureliano Alves Neto Vem de longa data a controvérsia sobre a vida e obra de Jesus. Uns O consideram Homem-Deus ou mensageiro do Alto, outros O julgam filósofo ou líder de massas. Para o alienista Binet-Sanglé, um homem de gênio; para o teólogo francês Alfred Loisy, um camponês de medíocre inteligência; para Prudhomme, um homem prodigioso; para Hermann Samuel Reimarus, um revolucionário; para Aníbal Vaz de Melo, o maior dos anarquistas. Há, até, aqueles que negam peremptoriamente a existência histórica do Excelso Mestre, como o filósofo alemão Arthur Drews em seu livro O Mito de Cristo e J. Brandes em sua catilinária O Cristo nunca existiu. Sem falar em autorezinhos medíocres como um certo La-Sagesse, que plagiou a "obra" de Brandes, inclusive no título. No Novo Testamento, a narrativa da vida de Jesus sofre um hiato entre a sua infância e a idade varonil, isto é, dos 13 aos 30 anos. Lucas (1: 80) informa: "E o menino crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel". Concordantemente, volta a informar um pouco adiante (2: 52): "E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens". Sem maiores esclarecimentos, o evangelista passa ao Capítulo 3, relatando a pregação de João Batista e o batismo de Jesus. assinalando no versículo 23: "E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos". O escritor judeu Sholem Asch, em seu livro Maria, afirma que "Yeshua estava com catorze anos quando o seu pai na Terra morrera". E acrescenta: "Tomou a si, nessa ocasião, a pesada tarefa do filho primogênito, qual a de sustentar a família". Quinze anos depois, ainda continuava a viver sozinho com a mãe. Exercia o ofício de carpinteiro, uma vez que "As sextas-feiras, quando o sol chegava ao Yeshua largava o trabalho na oficina para ir ajudar a mãe a preparar as festividades do grande dia". Por seu turno, escreve Daniel Rops no Jesus em seu tempo: "É muito provável que fosse ele (José) quem ensinou a Jesus o ofício de que este viveu durante seus anos obscuros". E aduz: "A vida que levou Jesus foi a vida de um pobre. Habitou certamente uma casa modesta... (...) Foi nesse meio social de gente pobre, de pescadores do lago, de vindimadores, de lavradores, de artesão donde recebeu esta formação que cada um de nós recebe dos contatos humanos que lhe é dado ter. Os galileus eram gente honrada, menos formalistas que os judeus da Judéia, corações simples, um pouco rudes. Jesus tomou deles sua linguagem, seus costumes e muitas imagens de suas palavras". Ernesto Renan admite que, após a morte do marido, Maria retirou-se para Caná, cidade próxima a Nazaré. Jesus a acompanhou. "Provavelmente foi aí que verificaram as suas primeiras glórias. Exercia o mister de seu pai, que era carpinteiro". Há, porém várias outras versões, inclusive a que se encontra no livro A vida mística de Jesus, do Dr. H. Spencer Lewis, segundo a qual, em várias discussões suscitadas nos concílios eclesiásticos dos primeiros séculos do Cristianismo, "houve prestigiosas autoridades que admitiram francamente que Jesus viveu até os cinqüenta, sessenta e ainda setenta anos de idade". Teria sido retirado da cruz em estado de exaustão, porém com vida e sobrevivera graças ao tratamento ministrado por médicos da comunidade essênia. Em 1961 o escritor e tradutor espírita Dr. Francisco Klors Werneck dava à publicidade o seu livro Jesus dos 13 aos 30 anos, que, como não podia deixar de ser, alcançou enorme receptividade nos meios espiritualistas. O momentoso assunto fora esquadrinhado meticulosamente, com critério e inteligência. E ninguém melhor para fazê-lo do que Klors Werneck, homem afeito à pesquisa, poliglota abalizado a amante da verdade. O autor se detém, de modo particular, na descrição da vida de Santo Issa, que, de acordo com velhos documentos em língua tibetana, teria sido um sábio israelita que, tendo vivido muitos anos entre sacerdotes bramanes e budistas, voltou ao seu país, onde foi condenado à morte por Pôncio Pilatos. Muitas analogias com a Vida de Jesus: a idade de retorno a Israel (29 anos), as excursões missionárias, a sublimidade da doutrina, o processo do julgamento, a crucificação... Depois vêm, respigados de boas fontes, outros informes assaz interessantes, como passaremos a apontar: Ao que afirma Yogi Ramacharaka, os ensinos ocultistas esclarecem que "aqueles dezessete anos de vida de Jesus, a respeito dos quais os Evangelhos nada contam , foram aproveitados por ele para viagens a terras longínquas, onde adolescente e moço foi instruído na sabedoria e ciência das diferentes escolas". Por sua vez, o falecido Imperator da Ordem Rosacruz americana assegura que Jesus se familiarizou com os ensinos e rituais do budismo no mosteiro de Djaguernat, na Índia; esteve em Benares, onde estudou ética, física, gramática e outras disciplinas; foi à Caldéia, à Mesopotâmia, à Babilônia e à Grécia. Preparava-se, assim, para receber os graus superiores da Grande Fraternidade Branca. Só voltaria à Palestina com o grau de Mestre. Segundo Saint-Yves, Jesus foi iniciado no Agartha, do Tibete, Louis Jacolliot diz que "Cristo foi ao Egito; sim, Cristo estudou no Oriente com os seus discípulos". Edouard Schuré afirma: "O que Jesus queria saber, só os essênios poderiam ensinar", Annie Besant assevera que, na idade de dezenove anos o nazareno entrou para o mosteiro essênio das proximidades do Monte Serbal e daí passou mais tarde ao Egito. Os muçulmanos acreditam que Jesus morreu em Kashmyr, na Índia. Ramatis declara que o Mestre não pertenceu à Confraria dos Essênios, porém manteve relações amistosas com os seus membros. Já o Sr. André Cehesse fala de uma tradição secular da Cornualha, a qual proclama que Jesus viveu na... Inglaterra. A 3ª edição de Jesus dos 13 aos 30 anos, da Editora Eco, do Rio de Janeiro, RJ, em circulação, vem enriquecida de dois novos e excelentes capítulos: "Jesus e os manuscritos do Mar Morto" e "Ainda aprofundando o mistério". Mais subsídios para o enfoque da questão. Mais lenha para a fogueira da discussão. Para evitar a prolixidade, colocamos aqui o ponto final, mesmo porque, como diz Steiner e repete Klors Werneck, com relação à personalidade de Jesus, "o mistério vai ao infinito"...
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