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VISÃO ESPÍRITA DA GUERRA, DITA SANTA

Marconi Leal

Após intensas negociações mediadas pelos EUA durante o governo do ex-presidente americano Bill Clinton, quando analistas internacionais finalmente viam a possibilidade de um acordo de paz vingar no Oriente Médio, eis que israelenses e palestinos voltaram a se enfrentar em batalhas urbanas que já duram vários meses e não têm perspectivas de acabar, em uma escalada cada vez mais crescente.

Mais do que à estaca zero, voltamos um passo atrás, uma vez que, com os confrontos atuais, não somente se tornou inviável a abertura de novos encontros com vistas a um armistício, como também foram desrespeitados os tratados tão arduamente assinados durante a última década. E não é só isso. Com a destruição de um enclave estratégico no Líbano, a Síria promete fazer retaliações a Israel e há serias ameaças de que os países árabes resolvam entrar no conflito.

O paradoxo aqui, é que tudo isso se passa em uma terra sagrada para nada menos que três religiões. Ainda mais irônico é que tais conflitos milenares, até hoje sem solução, são popularmente conhecidos por uma expressão que, por si só, é um total contra-senso: Guerra Santa.

Ora, se aquelas terras pertencem a Deus, se de fato são santas, como então compreender que nelas reine um flagelo que, pela força de suas imagens grotescas, talvez seja o que melhor evidencie o atraso moral do ser humanos Como pode ser que, em nome do que de mais belo e perfeito jamais existiu, daquele que inspira amor, paz e fraternidade, em nome de Deus, tenha sido deflagrada tal situação?

Em Mateus, capítulo V, versículos 23 e 24, diz Jesus: "Se, portanto, quando fordes depor vossa oferenda no altar vos lembrardes de que o vosso irmão tem qualquer coisa contra vós, deixai a vossa dádiva junto ao altar e ide, antes, reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então, voltai a oferecê-la". O Senhor queria mostrar com isso que o amor, o verdadeiro amor a Deus e ao próximo, é mais importante do que os ritos externos do culto, do que a leitura da letra morta e o cumprimento dos formalismos das cerimônias tradicionais.

AMAR O PRÓXIMO

Eis porque mais adiante, quando perguntado sobre qual o mandamento mais importante da lei, Ele diz: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. Esse é o maior e o primeiro mandamento. E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos" (Mateus, capítulo XXII, versículos 37 a 40).

Foi se baseando nas palavras do Nazareno e com seu extraordinário poder de síntese e dedução que Allan Kardec estabeleceu o princípio "fora da caridade não há salvação", que resume todos os deveres do homem para com o seu próximo e abre as portas do paraíso para qualquer mortal, independentemente de sua crença ou status social. De acordo com ele, não é necessário sermos católicos, protestantes, espíritas ou budistas para sermos salvos, mas que preenchamos o coração de amor, bondade, caridade, benevolência, humildade e paz. Só assim desencarnaremos para uma vida melhor.

Quanto aos judeus e palestinos, ambos se digladiam em nome de Deus e esquecem o mais importante da lei. Crêem no dogma que diz "fora da Igreja não há salvação" ou "fora da verdade não há salvação". Ambos os povos acreditam que sua religião é a única salvadora e justa. Ligando-se a aspectos estéreis de sua crença, Seguindo as palavras dos homens e não de Deus, enxergam no próximo um inimigo, um pecador, um herege, pelo simples fato de pensar diferente. Acham até meritório o seu extermínio, considerando que fazem o desejo do Pai.

A paz só virá através da aceitação das diferenças, da compreensão mútua, do entendimento do que é essencial na fé e na religiosidade de todas as nações que é o amor amplo, sem fronteiras étnicas. Sobretudo, quando atentarem para aquela passagem reveladora que diz: "Nem todos os que me dizem Senhor, Senhor entrarão no reino dos céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus" (Mateus, capítulo Vil, versículo 21).

Fonte: Revista Cristã de Espiritismo – Ano 03, nº 3.

 

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